quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Nelson Rodrigues - a unanimidade que não é burra

No ano passado, nesta mesma data, escrevi aqui sobre os 99 anos que Nelson Rodrigues faria se vivo estivesse (para ler, clique aqui). Hoje ele completaria 100 anos. Uma pena que não esteja entre nós para comemorarmos com muita alegria o centenário de um brasileiro simplesmente genial. Nelson morreu aos 68 anos, portanto, ainda novo, cheio de vida e esbaldando criatividade.
Apenas de duas décadas pra cá, Nelson Rodrigues passou a ter o reconhecimento que sempre mereceu, mas não o tinha muito provavelmente por causa do seu espírito de cidadão polêmico e contestador, recusando sempre o comodismo da unanimidade, pois entendia que “toda a unanimidade é burra”.
"O Fla-Flu surgiu 40 minutos antes do nada"
(Nelson Rodrigues)

Por ironia do destino, Nelson Rodrigues tornou-se, de alguns anos pra cá, unanimidade no que diz respeito ao reconhecimento da grandeza do seu trabalho e da contribuição valorosa que deixou para o teatro, a crônica literária, o esporte, o jornalismo e tantas outras atividades da nossa vida cultural. Nelson é hoje uma unanimidade inteligente, o que prova que toda regra tem exceção.
No rio de Janeiro, foi montada uma série de atividades para comemorar os 100 anos de nascimento desse carioca da gema, que se tornou um brasileiro respeitado e admirado. Todo o mês de agosto está sendo dedicado a apresentação de peças, exposições e mostra de filmes baseados em textos de Nelson Rodrigues. Em São Paulo, as comemorações estão acontecendo e vão ser estendidas até o final do ano.
Em Brasília, a capital da República, infelizmente, nada foi programado para participarmos das homenagens aos 100 anos de Nelson Rodrigues. Seria uma boa oportunidade para debatermos a obra desse gênio e também para conhecermos melhor seu universo literário. O jornalista Ruy Castro, que sabe muito a respeito dessa figura, disse em um debate que “precisaria de mais 100 anos para mergulhar em toda a obra de Nelson Rodrigues”.
Nós, pobres mortais, moradores de Brasília, vamos precisar então de pelo menos 101 anos, porque o ano de 2012, em termos de apresentação da obra de Nelson Rodrigues, está perdido.
Ou será que não? Com a palavra a Secretaria de Cultura do Distrito Federal. O secretário Hamilton Pereira, que vem fazendo um bom trabalho, tem até dezembro para se redimir e colocar Brasília no centenário de Nelson Rodrigues. Enquanto isso não acontece, vamos relembrá-lo ouvindo uma de suas mais belas crônicas, em que ele fala do manto sagrado - a camisa do Flamengo, que ele chegou a vestir (veja foto acima). Ou seja, até os tricolores se rendem à grandeza dessa instituição futebolística e cultural que é o Clube de Regatas Flamengo.


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