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O desbravador Cornélio Pires, de terno, sentado entre Mariano e Zico Dias |
A música caipira, aquela das duplas de viola e violão, com temas voltados para o homem do interior do Brasil, sua alma, sua cultura, foi pouco a pouco sendo sufocada pela música sertaneja, com seus arranjos de orquestras e o desprezo pela viola caipira. O produto foi sendo embalado, empacotado e vendido com um apelo cada vez mais comercial, e a qualidade, por consequência, foi sendo deixada para segundo, terceiro e até último plano.
Nessa longa caminhada da música caipira, que começou no final da década 20 do século passado, muita coisa bonita e de forte expressão da cultura interiorana foi produzida. O interesse das gravadoras só começou graças ao espírito aventureiro e corajoso de Cornélio Pires. Ele enfrentou o preconceito e conseguiu lançar uma série de gravações de música rural a partir de meados do ano de 1929. Começava a ser comercializado um estilo bem interiorano dessa rica história da música brasileira, abrangendo principalmente São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Já falei aqui sobre essa riqueza da nossa cultura musical (para ler clique aqui).
Estava aberto o caminho para artistas valiosos como Paraguassu (com pseudônimo de Maracajá), Raul Torres (chamado de Bico Doce), Mariano e Caçula, Tonico e Tinoco, entre outros, e também para revelar um gênero tipicamente caipira: a moda de viola.

Faço esse comentário porque ontem, dia do meu aniversário, fui ouvir um CD que o meu amigo Itaney Campos, desembargador e poeta, deu-me de presente. Entre tantas coisas bonitas de canções folclóricas, sertanejas e caipiras, estava lá Cheiro de Relva, composição de José Fortuna e Dino Franco. Uma música bonita, que tem uma letra simplesmente maravilhosa.
José Fortuna (foto), além de músico, foi um poeta de rara sensibilidade. Fez versões de grande sucesso como Índia e Meu Primeiro Amor, gravadas por vários artistas nacionais. Ele também foi beneficiado pelo espírito empreendedor de Cornélio Pires. José Fortuna e o irmão Elclides Fortuna formaram a dupla “Zé Fortuna e Pitangueira” e, depois, o trio “Os Maracanãs”, acompanhados de um sanfonista (primeiro Coqueirinho, depois Rosinha e, por último Zé do Fole).
Essa música interiorana, então, tem coisas boas e artistas de talento. Pena que nos últimos anos, a qualidade está cada vez mais sendo deixada de lado. Para valorizarmos o que é bom, vamos ouvir Cheiro de Relva, nas vozes bonitas de Dino Franco e Mouraí. Ajuda a fechar o domingo e a nos prepararmos para a segunda-feira bruta.
Vou te mandar minha homenagem aos violeiros
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