Agosto costuma ser mês de presságios, notícias ruins, crise políticas. Quando o dia 13 de agosto cai numa sexta-feira, então... É um Deus no acuda! Essa crença foi alimentada por fatos como o suicídio de Getúlio, o atentado a Carlos Lacerda, a renúncia de Jânio Quadro e tantas outras tensões políticas que se sucederam através dos tempos.
Mas, para nós goianos, mais particularmente os de Uruaçu e de Niquelândia, agosto é um mês de fé, peregrinação e devoção a Nossa Senhora da Abadia do Muquém, cuja romaria é a mais antiga de Goiás. Começou no ano de 1748, período da escravidão e da mineração.

Uma das paradas fica na entrada da fazenda dos nossos amigos Valdir e Sônia. Ao casal, eu e a Stela estamos devendo uma visita - compromisso adiado para 2012. Nesta última romaria, a estimativa é de que mais de 300 mil romeiros visitaram o Santuário do Muquém, percorrendo os 45 quilômetros da Rodovia da Fé.
Existem algumas versões para o surgimento da romaria. Uma delas, talvez a mais romantizada e poética, foi dada pelo escritor Bernardo Guimarães em O Ermitão de Muquém. Conta a história de um jovem chamado Gonçalo que teria assassinado um companheiro pelo amor de uma moça. Isto no século XVIII, na cidade de Goiás. Foragido, acaba ficando na tribo dos xavantes, onde se casa com uma jovem indígena e se torna um dos líderes guerreiros. Em uma batalha, flecha por engano sua mulher. Itagiba, irmão dela, inimigo de Gonçalo, lança uma flecha em direção ao peito dele, que é salvo por uma medalha de Nossa Senhora que carregava. Arrependido de sua vida de crimes, Gonçalo torna-se um ermitão dedicado a Nossa Senhora do Muquém.

Outro milagre é contado em versos na canção sertaneja Nossa Senhora da Abadia, de Mineiro e Maduzinho, que reproduzimos abaixo. Em seguida, a canção que talvez melhor represente o espírito das Romarias dedicadas a Nossa Senhora, na voz inesquecível de Elis Regina. Claro que se trata de Romaria, de autoria de Renato Teixeira. Bom agosto para todos.
A inserção dessa moda caipira sobre Nossa Senhora d Àbadia é um gesto de delicadeza, ternura e valorização da nossa música de raiz, da cultura do nosso povo sertanejo, de resistência às canções suburbanas, impropriamente tidas como sertanejas, que de sertão nada tem.Sintomáticas, aliás, porque o sertão tá virando soja, as comitivas tão virando caminhão, o roceiro virou favelado e a pastagem virou canavial....
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