sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Folia de Reis vive e convive com a modernidade no DF

A Folia de Reis é uma das últimas trincheiras de resistência da cultura popular aos tentáculos da indústria cultural no mundo globalizado. A força dessa manifestação cultural está exatamente no seu caráter popular, na simplicidade como são organizadas e executadas. As vestimentas, as bandeiras, os instrumentos musicais não se distanciam de suas origens, não se envergonham de como são e do que representam.
Comunidades de pescadores, lavradores, peões e tantas outras se organizam em torno da Folia e trazem nas suas bandeiras o orgulho daquilo que executam. Brasília, que é uma cidade moderna, tombada pelo Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, justamente pela modernidade de sua arquitetura e do projeto urbanístico, está circundada por manifestações culturais de caráter profundamente popular, como folia, catira, bumba-meu-boi e outras danças e manifestações folclóricas.
Têm tradição no Distrito Federal as folias de Planaltina, Brazlândia, Sobradinho, Paranoá e Gama. Faz sucesso nacional o Boi do Seu Teodoro, em Sobradinho, que é conhecido e respeitado há meio século. Por aqui moram duplas caipiras como Zé Mulato e Cassiano e Chico Rei e Paraná.
Toda essa cultura popular se mescla com a modernidade de Brasília e se mantém incólume e preservada. Hoje, Dia de Reis, todas essas cidades que compõem o Distrito Federal, mas não deixam de ser Brasília – principalmente por causa do sonho da gente candanga –, todas elas estão em festa. Uma festa popular, simples, com a cara do povo e, por isso mesmo, belíssima.
O Dia de Reis, neste janeiro de 2012, caiu numa sexta-feira. Melhor ainda, os festejos vão se estender até a noite de domingo. Assim seja, e que Deus salve o oratório!

Um comentário:

  1. Do amigo Itaney Francisco Campos, poeta e desembargador, recebi o seguinte texto:

    "Essa espécie de cantochão, louvando o oratório, em que predomina a voz masculina, finalizada por vozes em falsete, o som da viola e do acordeão, tudo nos remete às nossas raízes, ao interior, aos rituais religiosos de fonte laica e popular. O misticismo popular reflete-se bem na Folia de Reis, realmente a última trincheira de resistência da autêntica manifestação cultural popular. Essas canções mais espirituosas do que espirituais, de ingenuidade, também são de autêntico berço lusitano/brasileiro. Valeu, José! Que Deus salve o oratório e nóis também!"

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