domingo, 15 de janeiro de 2012

Vai-se Seu Teodoro, mas fica o legado da cultura popular

Morreu nesta madrugada o maranhense Teodoro Freire (acima, nesta bela foto de Josemar Gonçalves), o Seu Teodoro de Sobradinho, cidade-satélite de Brasília, que trouxe para o Distrito Federal, junto com a família, o Bumba-meu-boi, bem no início dos anos 60. Morre Seu Teodoro, mas a dança folclórica com a qual ele viveu e conviveu, desde criança, continuará viva e ajudará a imortalizar sua alma.
Seu Teodoro nasceu na pequena cidade de São Vicente de Férrea, interior do Maranhão, no ano de 1920. Aos oito anos de idade já participava do folclore nordestino, contrariando a mãe, que temia pelas brigas muito comuns nessas festas. De lá pra cá, Seu Teodoro dedicou toda a sua vida a valorizar, preservar e eternizar o Bumba-meu-boi. Veio para Brasília em 1961, para o primeiro aniversário da cidade, e trouxe a dança. No ano seguinte, mudou-se para a capital com a família.
Em 1963, com ajuda dos amigos, começou a funcionar o Centro de Tradições Populares, ainda um barracão de taipa, mas cheio de vida e de sonhos. Graças à sua luta, o CTP hoje é de alvenaria e tem uma boa estrutura para apresentação do projeto do boi. Trabalhou a vida inteira na Universidade de Brasília, onde era respeitado e admirado por estudantes, professores e pesquisadores.
Sobre Brasília, disse certa vez: “Gosto daqui. Podemos divulgar a cultura num lugar onde tudo é voltado para a política e faltam manifestações artísticas”. Faltavam até Seu Teodoro dar o pontapé inicial. Como já escrevi neste blog (para ler clique aqui), Brasília hoje é uma cidade moderna cercada de manifestações culturais, que preservam as tradições e o gosto popular.
Seu Teodoro tinha três grandes paixões na vida: o Bumba-meu-boi (na cultura), o Flamengo (no esporte) e a Mangueira (no Carnaval). Recebeu a Ordem do Mérito Cultural das mãos do presidente Lula e do ministro da Cultura, o cantor e compositor Gilberto Gil.
Em novembro do ano passado (foto acima), durante as comemorações dos 91 anos de idade, participou das festividades, ao lado da mulher Maria Sena; tocou matraca (instrumento de percussão feito de madeira), entre abraços, elogios, presentes e fotos. Já sofria com o enfisema pulmonar, que o obrigava a andar com um balão de oxigênio. Na madrugada deste domingo, internado no Hospital Santa Helena, o coração não resistiu a tantos esforços. E parou.
A batida dos tambores do maranhão e o pulsar dos corações de centenas de amigos e admiradores que frequentam o Centro de Tradições Populares, no entanto, continuarão a bater firme e forte, no mesmo compasso deixado por esse homem simples, humilde e talentoso. Graças a pessoas como Seu Teodoro, a cultura popular continua viva e latente. Não morre nunca.

Um comentário:

  1. Sr. Teodoro atendeu o meu convite para apresentar um pouco da cultura fólclorica nordestina lá no Areal, onde havia um trabalho de alfabetização de adultos (método Paulo Freire), e eu consegui sua presença para meus alunos que ficaram maravilhados ! É uma grande perda, um lutador, várias vezes o vi na Câmara dos Deputados
    solicitando verba para manter acesa a chama da Cultura Popular. Desejo que o seu trabalho continue, para alegria de todos nós Brasilienses. Palmas para o Sr. Teodoro !!!

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