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Juíza Gláucia recebe o prêmio Innovare, ao lado de Márcio Thomaz Bastos |
A arte de cantar samba entrou na vida de Gláucia Falsarella Foley muito cedo. O sonho de fazer Justiça veio um pouco depois, mas de maneira segura e significativa - foi dela, como juíza do TJDF, a ideia de implantar a Justiça Itinerante em Brasília, que depois iria evoluir para a Justiça Comunitária e se multiplicar para outras regiões do país. Em ambas as vocações, Gláucia sempre mostrou talento, dedicação e sabedoria.
Na música, principalmente no samba, teve o apoio e o estímulo do pai, que, ao criar seu próprio boteco na cidade de Passa Quatro (MG), reservou um cantinho, com microfone e violão, para Gláucia cantar. Daí para as rodas de samba, botecos da cidade natal e de Brasília, posteriormente, foi um pulo.
Como juíza, ficou conhecida por dirigir o projeto de Justiça Itinerante, graças à sua vocação democrática e à vontade de fazer chegar às comunidades menos favorecidas os instrumentos da Justiça. O projeto cresceu e fez brotar uma ideia ainda mais interessante: capacitar o próprio cidadão para buscar consenso entre as partes. Nascia, assim, a Justiça Comunitária que depois seria exportada para outros estados, inclusive para as favelas onde foram implantadas as Unidades de Polícia Pacificadoras, no Rio de Janeiro.

Gravar o disco Meu Canto foi um passo importante. Fez brotar outro talento de Gláucia Foley: o de garimpeira de canções pouco conhecidas da Música Popular Brasileira. O CD resgata, por exemplo, Rio Seco, uma bela canção que foi gravada na voz de Elizeth Cardoso, composição de Romildo Souza Bastos e Toninho Nascimento. O repertório é de excelente qualidade, passando por Nei Lopes, dona Ivone Lara, Cartola, Elton Medeiros, Paulo César Pinheiro, Jacob do Bandolim e tantos outros.
A voz de Gláucia é suave, intimista, não arrisca a enfrentar a grandeza da voz de uma Elizeth Cardoso, dona Ivone Lara, Beth Carvalho ou Clara Nunes. Mas coloca a voz com muita precisão, o que dá às interpretações uma personalidade própria, valorizando as melodias e as inflexões.
Se algum dia na minha vida, que Deus me livre e guarde, vier a cometer algum delito, espero cair nas garras da juíza-cantora. Quero chegar lá com um violão nas costas, um pandeiro debaixo do braço e um cavaquinho amarrado na cintura. Vou ficar calado e aguardarei humildemente que ela decrete a sentença.
Depois – se for possível, claro –, vamos pra um barzinho cantar samba...
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