sexta-feira, 15 de abril de 2011

Batuque, samba, choro, jazz e Pixinguinha

A Música Popular Brasileira, pela sua riqueza de melodias, letras e ritmos, com certeza é a que mais se aproxima, em qualidade, da música norte-americana. Na matéria postada neste blog sobre o gaúcho Vitor Ramil (clique aqui), falamos da riqueza de ritmos e melodias que percorrem o Brasil de Norte a Sul e de Leste a Oeste.
Lá na raiz de tudo isso está Alfredo da Rocha Vianna Filho, um dos maiores responsáveis por essa riqueza. Ainda criança, começou a ser chamado de “Pizindin” (menino bom), pela avó africana de nascimento, porque atendia prontamente aos pedidos para que fosse dormir mais cedo. A molecada da rua preferia chamá-lo de “Bexiguinha”, numa referência às marcas que a varíola (bexiga) deixara em seu rosto. Logo, logo, a mistura dos dois termos gerou o Pixinguinha.
Antes de Pixinguinha chegar ao mundo musical, os primitivos da MPB popularizaram modinhas, lundus, valsas e outros ritmos que circulavam pelos salões da elite aristocrática. Entre eles, Xisto Bahia, Francisco de Brito, Joaquim Antônio da Silva Calado e Laurindo Rabelo. Logo depois viriam os contemporâneos José Luís de Morais, o Caninha, Donga, João da Baiana e Heitor dos Prazeres.
Neste momento, o batuque dos morros começou a virar samba, e o talento de Pixinguinha foi fundamental para nossa música. Tinha um domínio impressionante da técnica e capacidade de improvisação só encontrada nos grandes músicos do jazz. 
Com a música intensa e animada dos Oito Batutas, Pixinguinha abriu espaço para novos músicos populares e atraiu o interesse da elite para os instrumentos afro-brasileiros, que desceram do morro e saíram dos terreiros de macumba.
Graças ao talento que Pixinguinha adicionou ao ritmo rico do samba, a música brasileira conheceu Cartola, Paulinho da Viola e, mais recentemente, Teresa Cristina, entre outros. Pixinguinha também abriu caminho para orquestradores como Radamés Gnatalli e Gaó, que trouxeram novos estilos e novas sonoridades. Com ele, a música brasileira tornou-se robusta e expressiva. Seu improviso, sua capacidade de brincar com a melodia, desaguou no chorinho e na inesquecível dupla Pixinguinha (sax) e Benedito Lacerda (flauta), que gravou tantos choros belíssimos.
A música “Lamento”, que mais tarde receberia letra de Vinícius de Moraes, é um exemplo clássico da influência que Pixinguinha recebeu das melodias e até mesmo dos ritmos da música dos norte-americanos.
Pixinguinha é sem dúvida nenhuma um divisor de águas na história da música brasileira. Depois viria Tom Jobim, mas aí é outra história... Antes, vamos ver e ouvir o próprio Pixinguinha tocando "Lamento", acompanhado do jovem Baden Powel e do veterano João da Baiana na marcação. Depois, a mesma música com letra de Vinícius de Moraes, na interpretação do MPB4.



Um comentário:

  1. Lamento, é um pouco de tantas músicas belas que Pixiguinha nos deixou. Ficou sua obra e uma tristeza lamentável da sua ausência, e de tantos outros que partiram.Grande Pixinguinha, grande homenagem !

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