domingo, 10 de abril de 2011

Fausto Nilo e eu nunca matamos passarinho...

Fausto Nilo, cearense de Quixeramobim, é arquiteto, compositor e cantor

Fausto Nilo é daqueles compositores que admiro muito. Ele está sempre por aí fazendo coisas belíssimas, em parceria com este ou aquele músico. É autor, por exemplo, de Lua do Leblon, em parceria com Lisieux Costa, e que ficou tão bonita na voz de Emílio Santiago. Compôs Meninas do Brasil com Moraes Moreira, e Espinha de Bacalhau com Severino Araújo, que ficou imortalizada pela interpretação de João Bosco.
Foi parceiro também de João Donato, Dominguinhos, Zé Renato, Zeca Baleiro, Ivan Lins e tantos outros. Já gravou quatro CDs: Esquina do Deserto, Casa Tudo Azul, Verso e Voz ao Vivo e Fausto Nilo.
Ele tem uma música composta com Fernando Falcão, que toca lá no fundo da minha alma. A música chama-se Marinheira, e ganhou uma interpretação insuperável da saudosa Nara Leão.
Um trecho da letra diz que “nunca matei passarinho, esse é meu segredo, que a água do rio não pode escutar”. Toda vez que ouvia essa música, eu ficava pensando: "Gente, que alívio! Eu nunca matei um passarinho!". E fui criança justamente em uma época em que caçar passarinhos, com estilingue, era programa corriqueiro.
Devo agradecer a Deus pela péssima pontaria, pois, em todas as vezes que tentei, nunca acertei o alvo. Logo, logo, desisti e fui buscar outras diversões. Acredito que poucos, que moraram no interior e viveram a infância antes do vídeo-game e do computador, podem dizer: eu nunca matei passarinho.
A letra dessa canção é uma obra-prima. Acompanhem-na e ouçam a bela interpretação de Nara Leão. É de arrepiar e ajuda a fechar o domingo em paz.


Marinheira

Nara Leão

Composição : Fernando Falcão / Fausto Nilo

Quando for de tardezinha
Minha companheira
Na beira do rio,
Lá nas marinheiras,
Meus olhos vazios 
Vão te espiar.

Lembra da lua saindo
Por trás da palmeira?
O Rio é profundo 
E a dor, traiçoeira
Tem dedos macios
Pra me pentear.

Nunca matei passarinho
Esse é o meu segredo,
Que a água do rio
Não pode escutar.
Viver sem carinho
Me mata de medo;
Eu sei que outro bicho
Vai te cobiçar

Se a tua beleza
Adormece mais cedo,
Eu durmo com medo
De nunca acordar,
Pois o teu cabelo
Me escorre entre os dedos,
E a água dos rio
Vai te carregar

Acho que foi num domingo,
Foi num derradeiro,
que eu senti no cheiro
nascer meu penar,
um cego menino
vem me contar

Trazendo a felicidade
Chegou um veleiro
Nas cores mais lindas
Desse mundo inteiro
Lá do terreiro 
Eu pude avistar

Uma formosa senhora
De olhar estrangeiro,
Que o meu "Sete Estrelo"
Pretende ofuscar,
Que luz irradia,
Arde o seu cabelo
como um pesadelo 
A me condenar

Mudaram o meu nome
Cortaram minha veia
E eu durmo com medo 
De nunca acordar
Pois o teu cabelo 
Me escorre entre os dedos
E a água do rio 
Vai te carregar

3 comentários:

  1. Pela primeira vez navego pelo teu blog em busca de informações sobre fausto nilo.. e encontro essa maravilha.. Nara e Marinheira me emocionam desde aquele longínquo romance popular de 1981, que as uniu para sempre.. e mais uma vez ouço em silêncio, olhos molhados.. felizmente também tive a sorte de nunca ter matado passarinho... josé serafim

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  2. Eu adoro especialmente este verso da canção e jamais o esqueci. Coloquei como citação em minha página do Facebook, mas só recentemente resolvi tatuar o verso no braço. Fui menino de fazenda e nunca matei passarinho. Não há dúvida de que isso diz muito sobre uma pessoa. E é bom saber que há outros pares pelo mundo. Um abraço, José Carlos.

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  3. Um abraço para José Serafim e Claudio Fragata. Fico satisfeito de encontrar mais gente que nunca matou passarinho. Obrigado pela participação de vocês aqui no blog.

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