Aracy de Almeida, na foto com Ismael Silva, começou sua carreira de cantora como normalmente começam as cantoras americanas: cantando hinos religiosos numa igreja Batista, no bairro do Encantado, no Rio de Janeiro, no início dos anos 30, década do rádio, de Noel Rosa, Vadico, Ismael Silva, Custódio Mesquita e tantos outros gênios da música popular brasileira. Sempre que escapava da vigilância do pai, fugia para cantar em terreiro de macumba e bloco carnavalesco.
Foi Custódio Mesquita, por intermédio de um amigo da família, quem levou Aracy para o rádio. Nascia para o mundo musical, em 1933, aquela que viria a ser a preferida de Noel Rosa e a principal responsável pela divulgação e preservação da obra do Poeta da Vila.

Aracy (foto ao lado) era desbocada, mas reconhecidamente uma pessoa culta, que adorava músicas clássicas, lia livros de psicanálise e colecionava quadros de pintores brasileiros, como Aldemir Martins e Di Cavalcanti. No ano de 1950, gravou o primeiro álbum de Noel Rosa, e o segundo no ano seguinte, abrindo espaço para que novos artistas recuperassem a obra do Poeta da Vila. Sua maneira de cantar foi decisiva para definir o rumo do samba cantado por voz feminina.
Na década de 70, Aracy de Almeida foi para a televisão ser jurada de programas de calouros. Primeiro, na TV Globo, na Buzina do Chacrinha; depois, no SBT, no programa de Sílvio Santos.
Morreu aos 74 anos de idade, vítima de embolia pulmonar, no dia 20 de junho de 1988. Hoje fazem 23 anos da sua morte. Poucos conhecem o trabalho dessa que foi a cantora preferida de Noel Rosa. Este blog não poderia deixar de prestar uma singela homenagem a Aracy e a música brasileira. Reproduzimos abaixo uma gravação dela, ao vivo, com MPB4, cantando músicas do duelo musical travado entre Noel Rosa e Wilson Batista; depois, a bela gravação de Último Desejo.
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